11 abril 2014

Um


Joseph

Eu acordei com o gosto do velho Jack Daniels na minha boca, minha cabeça batendo e lutando contra a vontade de vomitar. Sim, a minha manhã típica!
Nada de especial sobre isso, ou sobre os pesadelos que ainda permaneciam na minha cabeça. Eles foram o que me fez correr para o banheiro. Eu mal cheguei antes de começar a vomitar e esvaziar o meu jantar da noite anterior no banheiro.
Eu estava escovando os dentes quando Emmie veio rebolando até a conexão do meu banheiro e olhou para mim. Aparentemente ela ainda estava com raiva de mim, e eu ainda não tinha ideia do porquê. Droga de hormônios da gravidez!
— Tome um banho. Você irá ajudar Jesse com a mudança de Layla e suas irmãs para a casa de hóspedes hoje.
Eu gemi. — Emmie, a minha cabeça está prestes a rachar.
— Como isso é diferente de qualquer outro dia? — Ela chamou por cima do ombro enquanto saía do banheiro. — Se apresse. Jesse irá sair em breve.
Murmurando uma maldição, eu entrei no chuveiro. Trinta minutos depois, eu estava dentro de um caminhão alugado com Jesse. Ele sabia que a minha cabeça estava me matando, e ele não falava muito por causa disso. Eu descansei minha cabeça contra o encosto do assento e orei para que o dia passasse rápido. Tudo que eu queria era tomar alguns Jack e uma cama.
O apartamento duplex onde Jesse parou não era o lugar mais miserável que eu já tinha visto, mas não era o mais bonito também. Nós não estávamos exatamente no território de gangues, mas era óbvio que esse não era o mais seguro dos bairros. Eu estava feliz que Layla estava se mudando para a casa de hóspedes depois de ver este lugar. Eu gostava dela e queria que ela ficasse em algum lugar mais seguro.
O sol estava brilhante e eu lamentei não usar meus óculos de sol enquanto eu subia as escadas para o segundo andar atrás de Jesse. Ele bateu e a porta se abriu.
— Jesse, ei, — A voz rouca de Layla cumprimentou o baterista.
Eu fiquei lá no sol brilhante e os observei devorar um ao outro com os olhos. Sim, não havia nada acontecendo lá! — Em algum momento, hoje, Jesse. Pare de comer a garota com os olhos e vamos logo com isso, cara.
As bochechas de Layla coraram, e ela deu um passo para trás para nos deixar entrar no apartamento. — Eu não estava esperando que vocês viessem para me ajudar.
Eu caí em um sofá que me fez lembrar de um que a minha mãe tanto amava quando eu era uma criança. Este provavelmente era tão antigo quanto.
— Nem nós, — eu murmurei.
— O que Joseph quer dizer é que ele está aqui sob coação. Esta é a sua punição por chatear Emmie ontem à noite, — Jesse informou.
— Eu ainda não entendo o que eu fiz, — Resmunguei. — Em um minuto ela é toda sorrisos e no próximo está gritando comigo. — Eu balancei minha cabeça e meu cabelo comprido caiu na minha cara. — Eu odeio os hormônios da gravidez. Mal posso esperar para que esta criança demônio saia dela! — Eu queria minha pequena e doce Emmie de volta.
Ok, ela não era doce, mas ela era nossa e eu não a trocaria por ninguém. Mas ultimamente ela não era a mesma garota que os caras e eu praticamente criamos. Ela foi levada pela massa crescendo em sua barriga.
Layla riu e era um som doce. — Isso não vai ajudar, — ela me assegurou. — Depois que o bebê nascer ela vai ficar pior. Confie em mim nisso, querido. Pós-parto é pior do que as mudanças de humor que ela está tendo agora.
— Ah, inferno, — Jesse murmurou, ao mesmo tempo que eu fiz.
— Ei, Layla, você já embalou as coisas do banheiro? Eu preciso... — Minha cabeça se voltou para o som daquela voz, e eu tinha certeza de que meu coração parou no meu peito quando eu encontrei os olhos cor de uísque de um anjo. Seu longo cabelo preto meia-noite estava puxado para trás em um rabo de cavalo. Seus olhos marrom-âmbar eram enormes em seu belo rosto. Ela tinha os lábios macios que pareciam picados por uma abelha e um nariz que era pontudo no final. O anjo era alto e a cintura longa e fina, mas ela tinha curvas que faziam meu corpo doer por segurá-la contra mim.
Este anjo era jovem, eu diria que não mais de vinte e um anos... Layla apresentou o anjo. — Demetria, este é Jesse e esse é Joseph. Pessoal, este é a minha irmã de 17 anos de idade, Demi.
Dezessete. Dezessete. DEZESSETE!
Malditos dezessete anos!
O número saltou em minha cabeça que já latejava, e eu pensei que ficaria louco com isso. Não! Não dezessete anos. Ela tinha que ser mais velha. Eu não poderia estar atraído por uma menina de 17 anos de idade.
— É um prazer conhecê-la, Demi, — Jesse disse, enquanto olhava para o anjo.
Fiquei fascinado com o rosa que inundou suas bochechas. — Sim, você também, — ela murmurou e olhou para a irmã. — Layla, você pode me ajudar com uma coisa no banheiro?
As irmãs nos deixaram sozinhos na sala de estar, e Jesse caiu no sofá ao lado de mim. — Cara, você está pálido.
Eu não fiquei surpreso. Eu acho que eu tinha realmente sentido a cor sair do meu rosto quando Layla havia dito a palavra dezessete. Eu me senti mal do estômago por uma razão completamente diferente do que eu senti ao despertar.
— Vocês realmente são demônios?
Virei a cabeça para encontrar uma menina com cabelos longos escuros, encaracolados, parada a poucos metros do sofá. Ela tinha grandes olhos escuros e um pequeno nariz bonito, e assim como Emmie conseguiu todos esses anos, essa menina me fisgou fundo e eu não pude deixar de sorrir para ela. — Não, querida. Eu não sou realmente um demônio.
Tudo bem que algumas pessoas tinham me comparado a um algumas vezes. Aos olhos do público eu era um durão sem coração ou alma. Principalmente, eles estavam certos. A menos que você contasse com Emmie e meus irmãos de banda, eu não tinha amor ou compaixão por ninguém.
— Qual é o seu nome? — Perguntou a menina.
— Sou Joseph, — eu disse a ela. — Ele é Jesse.
Seus olhos escuros nos olharam como se estivesse avaliando a nós dois. Então, com a confiança que só uma criança jovem e inocente tinha, ela subiu no meu colo. — Eu sou Lucy. É bom conhecê-lo, Sr. Joseph.
— É um prazer conhecê-la, Lucy.
Pelos próximos cinco minutos, ela fez uma centena de perguntas sobre a casa em que ela ia morar. Antes que Jesse ou eu pudéssemos tentar responder, ela fazia outra para nós. Já no primeiro minuto, eu sabia que sua palavra favorita era incrível. Ela queria construir um castelo de areia, mas nunca foi para a praia. Antes que eu pudesse realmente pensar sobre isso, eu me ofereci para ensiná-la.
Layla saiu do quarto com um sorriso no rosto. — Não hoje, Lucy, — disse a garota. — Temos muita coisa para fazer hoje, baby.
— Amanhã? — Ela perguntou.
Eu já estava assentindo. Parecia divertido quanto mais eu pensava sobre isso. Porra, eu acho que nunca tinha feito um castelo de areia também, mas eu queria fazer um com Lucy. — Amanhã. Está marcado, ok?
Os olhos dela se arregalaram. — Promete?
Eu sorri. — Prometo. Agora, vamos começar a mudança das senhoritas.

Demetria

Eu sabia quem eram os Asas do Demônio. Layla era uma grande fã de sua música, mas eu saberia sobre eles, mesmo que ela não fosse. Eles eram uma banda de rock incrível, e até mesmo eu gostava de algumas de suas músicas, o que dizia muito, porque o meu gosto se inclinava mais para cantores como Michael Bublé.
Ultimamente, a banda estava nos tabloides, o que não era típico deles. A maioria deles mantinha discrição, mas o líder da banda, Nikolas Armstrong, ia ser pai, o que era uma grande coisa no mundo da música. Ele havia engravidado a irmã de criação da banda e fez com que as cabeças de todo o mundo se voltassem para eles. Os tabloides faziam fofoca da história a meses, mas a maior parte já tinha morrido. Eu percebi que quando o bebê nascesse a banda iria ser perseguida novamente.
A história do bebê era a primeira notícia real sobre a banda em poucos anos ou mais. A última vez que fizeram notícia nos tabloides foi por causa de Joseph Stevenson. O homem tinha sido reportado como um psicopata que tinha jogado um médico pela janela. A imagem do roqueiro encarando o fotógrafo, que se atreveu a tirar sua foto, mostrou um homem que parecia mais do que selvagem e perigoso. Eu acho que você poderia entender o meu choque ao descobrir que o mesmo cara estava de pé no que havia sido minha sala de estar pelos últimos dois anos. Eu estava nervosa no início, especialmente quando ele olhou para mim e foi como se ele estivesse olhando diretamente para minha alma. Mas mesmo que tenha me assustado muito, eu tinha certeza que meu coração estava acelerado por outros motivos além do medo.
Droga, como o cara era sexy! Você não poderia nem ir um pouco longe como dizer que ele era bonito. Seu rosto tinha linhas duras e vários ângulos, mas cada ângulo parecia como se os próprios deuses tivessem esculpido cada linha. Adonis, o Deus da beleza e do desejo, não tinha nada a perder para Joseph Stevenson, e com apenas um olhar, a minha respiração parecia estar presa em meus pulmões.
O que me chocou mais foi que ao longo das próximas poucas horas eu me encontrei não mais sentindo medo dele. Ele fazia Lucy rir. Toda vez que eu pegava algo pesado, ele rapidamente o pegava de mim e levava ele mesmo para o caminhão. Joseph como uma estrela do rock podia ser um idiota total, mas aparentemente o homem era um cavalheiro.
Eu me senti como se houvesse uma força invisível me empurrando em direção a ele. Normalmente, eu teria colocado um freio. Estrelas do rock eram más notícias. Eu tinha crescido com um após outro aquecendo a cama da mãe. Eu já tinha visto em primeira mão como eles tratavam as pessoas, e não era bonito. Mas, por alguma razão, eu senti como se Joseph e Jesse fossem diferentes.
Assim como eu senti que Shane e Nik eram diferentes quando eu os conheci mais tarde naquele dia quando eles nos ajudaram a descarregar o caminhão da mudança. Eles foram todos muito bons, e eu me senti confortável em torno de todos eles. E Emmie? Ela me lembrou de Layla um pouco. Alguém que não deixava ninguém passar por cima dela, que não deixa que o mundo a levasse para baixo.
Até o final do dia, me encontrei tendo uma queda por Joseph. Era uma loucura. Ele tinha trinta e um, e eu tinha dezessete anos. Claro, roqueiros namoravam mulheres mais jovens o tempo todo, mas eu não ia ser uma Priscilla para o Elvis dele. Não, não ia acontecer!
Domingo era o meu dia de fazer lição de casa. Eu normalmente não me importava de fazer lição de casa. Layla era durona sobre tirar boas notas e era fácil para mim. Estudei muito e tive aulas extras. Desde que vivia com Layla e eu já não tinha que gastar tanto tempo cuidando de Lucy, algo que eu tinha feito a partir do dia em que ela nasceu até a nossa mãe perdedora morrer, eu comecei a assistir aulas extras que a minha escola oferecia. As classes eram aulas básicas de estudos gerais para a faculdade, e no final desse prazo, eu teria créditos universitários suficientes para me qualificar como uma estudante de segundo ano quando eu realmente começasse a faculdade.
Segunda-feira, eu dirigi para a escola sozinha pela primeira vez. Layla foi incrível. Ela estava deixando eu dirigir seu velho Corolla, então eu não teria que mudar de escola. Não era que eu fosse sentir falta dos meus amigos, eu tinha passado tanto tempo na escola estudando ou participando de programas obrigatórios de esporte - eu tinha escolhido corrida porque eu era horrível em esportes de equipe, - que eu não tinha nenhum amigo. Nenhum.
Claro que não ter amigos tornava difícil a escola, às vezes. Nenhuma das meninas gostava de mim por que: A) achavam que eu era uma vadia encalhada porque eu me recusava a deixar que eles me sugassem para o drama diário que tendia a ser uma vida de meninas adolescentes, ou B) Achavam que eu queria o namorado delas. Minha resposta era sempre a C. Eu não tenho tempo para o drama de qualquer pessoa além do meu, e eu não iria ficar com os namorados delas nem se eles me pagassem. Não ter amigos havia me dado tempo para observar os acontecimentos dos outros em volta de mim, e eu tinha descoberto que a maioria dos namorados que eu fui acusada de querer eram instrumentos nas mãos das namoradas e tinham mais ação do que as namoradas percebiam.
Um dia antes, Layla havia comprado dois novos telefones. Ela tinha dado a Lucy seu antigo em caso de emergências, mas eu ganhei o meu próprio, juntamente com um plano de mensagens ilimitado junto com a internet e um plano de ligações.
Claro que eu tinha dado o meu número para Joseph. Eu não tinha certeza de como isso aconteceu, mas acabamos trocando mensagens de texto uma atrás da outra até depois da meia-noite passada. E hoje, mesmo que eu soubesse que ele deveria estar no estúdio trabalhando em um novo material com os outros caras da banda, nós estávamos trocando mensagens de texto regularmente.
Durante a aula de Inglês ele me enviou uma foto engraçada de seu irmão jogando conversa fora na hora do almoço. Porque eu não estava esperando por isso, eu não consegui controlar a minha gargalhada, enquanto o meu professor estava dando uma chata palestra sobre a importância de uma forte introdução em uma redação. Eu não estava prestando atenção, porque eu já tinha tomado aulas de Inglês 101 de faculdade e passei com um A. A única razão pela qual eu estava nessa classe era porque eu tinha que ter para me formar.
— Senhorita Daniels, há algo que você gostaria de compartilhar com a classe? — O idiota perguntou em uma voz nasalada que sempre me irritava. Sr. Mills estava em seus vinte e poucos anos com um corte de cabelo do Justin Bieber, e a maioria das meninas na escola gritaram como se fossem meninas quando descobriram que ele daria a aula de Inglês. Eu não era uma de suas fãs e não fazia segredo disso - nunca. É claro que eu senti como se ele não gostasse de mim e estava sempre tentando me isolar das maneiras mais constrangedoras.
Coloquei meu telefone entre o meu livro e caderno para escondê-lo do professor. — Não, Sr. Mills, — eu assegurei a ele.
— Então, talvez você gostaria de nos dizer a melhor maneira de começar uma Comparação/Argumentação em uma introdução. — Seu sorriso me disse que achava que eu não poderia lhe dar uma resposta boa o suficiente para satisfazê-lo.
Ele estava mais irritado comigo do que o normal até o final da aula, depois da minha explicação de cinco minutos para sua pergunta. Quando a campainha tocou, eu estava mais do que feliz por pegar minhas coisas e sair de seu caminho. Passei pelo banheiro feminino antes de ir para minha última aula do dia e mandei uma mensagem para Joseph de volta.

Você me fez rir na aula de Inglês! O professor babaca me odeia.

Em poucos segundos, Joseph me mandou uma mensagem de volta. Porra! Desculpe, Anjo!

Não se preocupe com isso. Até logo.

Naquela noite, quando cheguei em casa, Layla estava mais tranquila do que o habitual. Ontem à noite, ela me perguntou sobre Joseph, e eu tive que desconversar. Ele era meu amigo, meu único amigo! Eu não iria deixar que ela arruinasse isso porque achava que eu não podia cuidar de mim, mesmo se os meus sentimentos por ele fossem mais fortes do que uma mera amizade. Eu afastei o assunto como se fosse apenas uma paixão boba.
Depois do jantar, eu mandei uma mensagem para Joseph para perguntar se ele queria vir desfrutar do ar da noite comigo. Ainda estava quente à noite, e eu estava me sentindo sufocada dentro da casa de hóspedes. Quando ele me mandou uma mensagem de volta dizendo que ele iria, peguei um lençol e todas as pequenas velas que tínhamos.
Quando ele me encontrou no quintal que separava a casa de hóspedes da casa principal, eu tinha tudo arrumado. Parecia romântico e eu tive que ficar me lembrando que nada sobre meu relacionamento com Joseph era romântico. Ele iria correr para as montanhas, se ele soubesse que eu tinha uma queda por ele, e realmente eu não podia culpá-lo. Ele devia ter muito desse drama em sua vida de roqueiro.
Joseph me surpreendeu quando ele me mostrou um caderno de desenho e um conjunto de lápis de carvão para desenho. — Posso desenhar você? — ele perguntou, soando um pouco inseguro.
— Claro. Se você quiser... Eu não sabia que você desenhava. — Eu me arrumei no lençol, então eu conseguia vê-lo sobre o bloco de desenho enquanto ele trabalhava.
Seus dedos se moviam com rapidez e habilidade óbvias. Eu ansiava por ver o que ele estava desenhando. A concentração em seu rosto quando ele me olhava me fazia doer por uma razão completamente diferente. — É algo que eu faço como um calmante, — disse ele depois de alguns minutos. — Arte era minha aula favorita na escola. No meu aniversário de oito anos meu pai me deu um kit de arte profissional. Tinha tinta e carvão e um milhão de outras coisas que uma
criança de oito anos não entende como usar. — Ele sorriu e eu podia ver o menino que ele havia sido brilhando naqueles olhos verdes-acinzentados. — Minha mãe argumentava que era muito caro, que seria destruído até o final do dia, mas eu cuidei dele e descobri que eu realmente gostava de usar o carvão para desenhar. Quando eu tinha treze anos, entrei em um festival de arte na cidade e realmente ganhei uma centena de dólares, ficando em segundo lugar na amostra de arte.
— Uau. Eu na melhor das hipóteses consigo desenhar um boneco convincente se tiver que fazer. — Ele riu. Foi um riso profundo que me fez ficar muito feliz por ter vindo de algo que eu disse. Ele não parecia ser o tipo de cara que ria muitas vezes.
— Então, se a arte não é o seu talento o que é? — Ele perguntou enquanto continuou a desenhar.
Minha atenção continuou em seus dedos longos e finos e como eles se moviam com certeza sobre todo o bloco de desenho. — Eu gosto de dançar, — disse a ele. — E eu sou uma corredora de longa distância decente.
Ele arqueou uma sobrancelha em minha resposta. — Dança?
Eu assenti. — Sim, eu amo dançar. Quando eu era pequena, antes da minha mãe expulsar Layla, Layla me levava a uma academia de dança pouco depois que ela chegava em casa da escola. Eu aprendi sapateado, ballet e jazz. Eu sou uma grande fã de jazz e swing.
Joseph sorriu. — Então você gosta de Michael Bublé e Sarah Brickel. Talvez Robbie Williams? — Eu encolhi os ombros e ele se inclinou para frente, me batendo na ponta do nariz com o dedo. — Não há nada errado sobre gostar deles. Eu encontrei Michael Bublé algumas vezes no Grammy. Cara legal.
— Eu posso ter todas as músicas dele no meu iPod. — Dei de ombros novamente. — Quem é seu herói do rock? — Eu perguntei, decidida a saber tudo sobre este homem. Basta estar com ele assim, falando sobre nada mais importante do que os nossos gostos em música, que era perfeito. Eu queria congelar o tempo e me segurar a esse momento pelo resto da minha vida.
— Keith Richards sempre foi o meu herói. — Ele voltou a se concentrar em seu bloco de notas. — O homem tem talento. Quando eu tinha doze anos eu cortei a grama por um verão inteiro para guardar dinheiro para comprar minha primeira guitarra. Eu aprendi a tocar vendo e ouvindo Keith Richards. Foi assim que começamos. Eu era Keith e Nik era Mick Jagger. Nós só estávamos brincando. Mas, então, Jesse e Shane se juntaram a nós, e nós realmente parecíamos muito bons. Nós começamos a tocar em festas para as crianças na escola. De lá, fomos para bares perto de casa. Quando eu tinha vinte e um algum caçador de talentos nos ouviu e contou a Rich, nosso agente, sobre nós. Uma semana depois, estávamos em um ônibus de turnê, oficialmente estrelas do rock.
— Isso é loucura! — Eu puxei meus joelhos contra o peito e descansei o queixo sobre eles. Meu cabelo caiu na minha cara, e eu empurrei-o de volta. — É tudo o que você esperava? Tudo o que você sempre quis?
Dor cruzou seu rosto. Joseph ficou em silêncio e eu me perguntei se ele ia me responder quando ele finalmente balançou a cabeça. — Não. Não é tudo que eu sempre quis. Após o primeiro ano, eu já estava cansado. Eu quero mais do que uma vida de rock-and-roll. É tudo o que fazemos agora. Não me interprete mal, Demetria, eu amo fazer música. Eu amo a emoção de tocar para uma multidão. Mas eu odeio a vida que vem com ela.


09 abril 2014

Prólogo


  Estava quente como o inferno. Murmurando uma maldição, eu arranquei minha camiseta e a joguei no cortador de grama. Julho era uma vadia. Roçar todo o parque de trailers no meio do dia não foi uma ideia das mais inteligentes, mas não tinha sido minha ideia. A velha que alugava o lugar queria isso feito, e não era o meu trabalho discutir com ela. Ela me pagava decentemente para cortar a grama e cuidar da manutenção do lugar. Eu tinha passado as últimas três horas roçando e suando litros durante esse tempo. Minha t-shirt estava encharcada, e eu seriamente precisava de um banho. Depois de colocar o cortador de volta ao galpão de ferramentas eu fui para casa, que era apenas alguns trailers de distância do galpão que ficava no meio do parque de trailers. Cansado, eu abri a porta do meu trailer e entrei...
  A televisão estava ligada e Emmie estava sentada no meu sofá. Normalmente, isso não teria sido um problema para mim. Quando minha mãe e meu padrasto não estavam em casa, Emmie vinha e assistia TV com Shane por algumas horas para escapar do pesadelo que ela chamava de mãe. Hoje, não era Shane que estava em casa. Ele estava com uma garota que ele conheceu em um dos nossos shows em alguma cidade na última sexta-feira.
Minha mãe estava no trabalho, como sempre. Ela trabalhava duro e raramente estava em casa, então só havia uma pessoa que poderia ter deixado Emmie entrar...
  Meu coração ficou frio, e eu tive que lutar para não vomitar quando eu olhei para a pequena menina sentada no sofá. Seu cabelo estava uma bagunça, como
sempre. Ela estava vestindo shorts que eram grandes demais para ela, provavelmente um par que um de nós tinha comprado em uma venda de quintal já que a mãe dela não se importava se ela tinha roupas ou não.   Havia um curativo em sua canela e alguns hematomas nas pernas e braços.
Ela olhou para mim e sorriu quando me viu olhando para ela. — Ei! — Ela cumprimentou, dando um gole de uma caixa de suco.
— Emmie, por que você está aqui? — Perguntei. — Quem deixou você entrar?
Seu sorriso diminuiu um pouco. — Sr. Rusty me deixou entrar. Eu estava jogando e ele perguntou se eu queria entrar e sair do calor.
Éramos uma das poucas famílias no parque de trailers que tinha um ar condicionado. Como é gentil do Rusty por convidá-la a sair do calor. Cerrei os punhos, tentando manter a calma na frente da menina inocente que eu tanto amava. Eu não queria assustá-la, mas ela não tinha ideia de que eu tinha acabado de salvá-la de pesadelos inimagináveis.
— Onde está Rusty agora?
— Ele teve que usar o banheiro, — ela me informou, me observando de perto.
Me abaixei na frente dela e peguei suas mãos nas minhas muito maiores. — Me escute, Emmie. Quero te perguntar uma coisa, e é importante que você me diga a verdade. Tudo bem, querida?
Ela assentiu com a cabeça castanho-avermelhada, e eu apertei minhas mãos em torno das dela. — Ele... — Eu engoli a bile subindo na minha garganta e comecei novamente. — Rusty tocou em você?
Seus olhos se arregalaram. — Eu... — Seu rosto ficou corado e ela mordeu o lábio. — Joseph...
— Ele tocou, Em? — Eu sussurrei.
— Eu... eu não... — Ela engoliu em seco. — Ele disse para não contar.
— Onde? — Eu exigi. — Onde é que ele te tocou, Emmie?
— Só na minha perna. — Ela tinha lágrimas em seus olhos, e eu percebi que o meu aperto em suas mãos estava muito apertado. Eu aliviei o aperto, mas não a soltei. — Ele se sentou comigo e esfregou minha perna enquanto eu assistia TV. Eu não gostei e disse para ele parar.
— Ele parou?
Ela assentiu com a cabeça. — Sim. Claro que sim. Então ele foi para o banheiro. Acho que ele está tomando um banho ou algo assim porque ele está lá há um tempo.
Raiva como nada que eu já senti antes ferveu dentro de mim. Eu estava começando a tremer quando vi o medo nos olhos de Emmie. Eu tentei conter, mas eu estava perdendo rapidamente o controle. — Rusty é um homem mau, Emmie. Lembra-se de como Jesse, Nik, e eu falamos para você sobre os homens maus? —    Ela assentiu com a cabeça, lágrimas derramando de seus grandes olhos verdes. Nove anos de idade e eu já conseguia dizer que ela ia ser uma mulher bonita quando ela crescesse.
 Os caras e eu tínhamos avisado Emmie de um monte de coisas ao longo dos anos: não tocar nas agulhas que sua mãe usava para o seu vício em drogas e nunca deixar um dos homens de sua mãe ficar a sós com ela. As conversas de sempre que você tem com um garoto que vive em uma casa cheia de monstros que as crianças como Emmie tinham que lidar.
Eu tinha tido a sorte de nunca ter um pai que abusou de mim ou fez as coisas que a mãe de Emmie fazia. Minha mãe era ótima, mas ela trabalhava em dois empregos para pagar as contas. Meu pai era um cara decente, então eu não tinha sido preparado para quando a minha mãe se casou com Rusty Nelson quando eu tinha dez e Shane tinha oito anos. Ele parecia ser um cara bom demais, até a noite em que ele havia subido na cama comigo. Minha mãe estava trabalhando no turno da noite no posto de gasolina da estrada, e Shane estava em uma festa do pijama com seu amigo de escola...
  Aquela noite tinha sido o começo dos meus pesadelos. Eu estava preparado para dizer a minha mãe e ameacei fazer exatamente isso, mas Rusty era um bastardo manipulador. Ele podia fazer ameaças tão bem como eu. Ele me garantiu que ninguém iria acreditar em mim. Quem iria acreditar em uma criança de dez anos de idade ao invés de um adulto como ele? Então ele me ameaçou com a única coisa que tinha certeza de que iria manter minha boca fechada. Shane.
  Se eu contasse, então Shane seria o próximo. Não havia jeito que eu queria que meu irmãozinho, o menino que era meu melhor amigo, experimentasse o que eu tinha acabado de passar. Então eu mantive o abuso para mim. E continuou por quase um ano.
  Quando eu fiz onze anos, eu cresci em altura por quase meio metro, e a puberdade chegou rápido. Eu não parecia mais como uma criança. Fui me transformando em um homem, e Rusty não tinha gostado, então eu fui esquecido. Eu tinha ficado com medo de que o tarado fosse começar a abusar de Shane, então eu mantive meus olhos abertos para os sinais do que estava acontecendo. Não havia nenhum e eu comecei a relaxar...Do fundo do corredor eu ouvi a descarga do banheiro e eu fiquei de pé, colocando o comprimento da sala de estar entre mim e Emmie no caso de eu machucá-la por acidente. Não havia jeito de Rusty escapar dessa. Ele mexeu com a criança errada desta vez!
— Joseph? — Emmie sussurrou meu nome, e eu dei-lhe um sorriso triste.
— Vai ficar tudo bem, Em. — Eu peguei o telefone que estava ao lado da cadeira de balanço em que minha mãe amava se sentar. Eu dei um soco em um número que eu sabia de cor e esperei por alguém para atender na outra extremidade.
— Sim? — Era o Sr. Thornton. O cara parecia bêbado e ele provavelmente estava.
— Sr. Thornton, Jesse está em casa? — Eu sabia que ele estava. Ele precisava estar no trabalho para o turno da noite da fábrica.
— Jesse! — O velho gritou, e eu ouvi Jesse pisar pelo trailer.
Ele murmurou algo que eu não conseguia ouvir a seu pai e, em seguida, colocou o telefone no ouvido.
 — Cara, eu estou ocupado, — disse Jesse sem sequer perguntar quem era. — O que você quer?
Olhei para Emmie. — Eu preciso que você venha. Agora.
— Joe, eu tenho que estar no trabalho em 20 minutos.
— Emmie precisa de você.
Isso o deteve. Dos quatro de nós Jesse era provavelmente o mais protetor de Emmie. O cara era como um urso mãe com seu filhote. — Ela está bem? — Ele exigiu.
— Isso é questionável. — Fisicamente, ela estava bem. Se esse idiota não tivesse feito nada mais do que tocar em sua perna, então ela podia não ter qualquer trauma mental. Mas o que me preocupava era dela estar no caminho quando eu perdesse o controle. — Só venha para cá. Corra, — eu disse a ele, quando ouvi a porta do banheiro se abrir. O telefone ficou mudo, e eu coloquei de volta no gancho.
— Que tal uma outra caixa de suco, Emmie? — Rusty perguntou enquanto ele vinha pelo corredor estreito. — Ou um picolé? Isso é do que você precisa em um dia quente de verão... — Ele me viu em pé ao lado da cadeira da mãe. — Eu não ouvi você entrar, — ele murmurou.
— Aposto que não. — Eu acenei. Ele não se parecia com um pedófilo. Parecia com o que a minha mãe ainda pensava que ele era: um ser humano decente. Eu acho que ele era bonito. Rusty tinha apenas uma barriga de cerveja. Seu cabelo era curto e livre de cinza. Ele tinha uma altura média e seu sotaque do sul era algo que minha mãe disse que ela gostava nele. Para mim, ele era o monstro dos meus pesadelos.
A porta da frente se abriu e Jesse veio parecendo furioso. Seu olhar foi direto para Emmie. — Em? Você está bem? — Ele correu e levantou-a em seus braços.
— Jesse! — Ela agarrou-se ao pescoço dele e enterrou o rosto em seu peito. — Joseph está me assustando.
— Que porra é essa, cara? — Jesse explodiu. — Ela não parece estar pior do que o normal... — Então ele viu o meu rosto.
Meu olhar ainda estava em Rusty, e eu sabia que o meu ódio, uma raiva pura e venenosa estava queimando em meus olhos. Eu ainda tremia e estava ficando pior a cada segundo. Jesse olhou de mim para um Rusty muito nervoso. — Leve Emmie para fora, Jesse, — eu disse a ele, sem tirar os olhos do meu padrasto.
— Joe...
— Agora! — Eu gritei, e Emmie choramingou em seus braços. Eu odiava que eu a estivesse assustando, mas não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso agora. Mais tarde, eu prometi a mim mesmo. Mais tarde, eu faria as pazes com ela.
  Jesse murmurou algo tranquilizador para Emmie quando ele se virou e saiu do trailer. Com o alto estrondo da porta batendo, eu estalei. Não tinha jeito de que eu pudesse segurar meu controle agora...
Eu destruí a sala de estar. A luminária de chão que ficava ao lado da velha cadeira estava saindo de uma janela quebrada. O sofá que eu tanto amava estava revirado e provavelmente nunca seria usado novamente. Eu pensei ter ouvido o tom de discagem do telefone e percebi que estava fora do gancho na mesa ao lado do que já tinha sido a cadeira favorita da minha mãe que estava em pedaços. O lugar estava completamente uma lixeira no momento em que a polícia apareceu e me tirou de cima do inconsciente homem sangrando debaixo de mim. Precisou de dois deles para colocar as algemas em mim, enquanto eles lutavam para empurrar o meu rosto para baixo no tapete. Um dos policiais disse algo sobre uma ambulância, e eu gritei com ele para deixar o filho da puta morrer. O que só fez o policial me segurando para baixo empurrar seu joelho mais em minha espinha. Shane invadiu o trailer, seguido por Nik. Nenhum dos dois disse uma palavra quando eles viram a cena. Do lado de fora eu ouvi as sirenes da ambulância enquanto eu lutava contra as algemas. Eu queria terminar o que eu tinha começado antes que os paramédicos tivessem a chance de salvar o filho da puta.
— Joseph! — Minha mãe gritou quando ela seguiu os paramédicos para o trailer. Ela tinha acabado de chegar do trabalho e entrou em uma zona de guerra.
— Joseph, o que você fez? — Ela chorou quando viu o marido deitado imóvel sobre o chão da sala de estar e eu, seu filho mais velho, algemado. — Por que você fez isso?
Eu apertei minha mandíbula e me recusei a olhar em seus olhos. — Porque esse merda merecia.
— Mamãe! — Shane agarrou nossa mãe. — Mãe, há algo que você precisa saber.
Algo na voz do meu irmãozinho me fez olhar para ele. Ele sustentou as mãos de mamãe e falou baixinho para ela, mas eu ainda ouvi. — Rusty me molestou quando eu tinha nove anos, — explicou ele, e eu perdi o controle.
Tudo isso para nada! Os anos de manter o segredo que me assombrava dia e noite para protegê-lo. Eu tinha começado a beber até desmaiar apenas para conseguir dormir à noite. E foi tudo por nada! Rusty ainda tinha feito a Shane o que ele tinha feito comigo.
Eu me desvencilhei dos policiais e consegui ficar de pé, apesar das algemas. Antes que eu pudesse chegar em Rusty, um terceiro policial me abordou.
— Não! — Eu gritei. — Eu vou matá-lo!
Rusty Nelson ia morrer por tocar em meu irmãozinho...



02 abril 2014

The Rocker That Needs Me





O Demônio... 
Venho lutando meus próprios demônios durante a maior parte da minha 
vida. O álcool parece anestesiar a dor, mas nunca faz os pesadelos ir 
embora. Tudo que eu quero na vida é um pouco de paz. Quando eu 
conheci o meu anjo parecia que eu a encontrei, mas há muitas coisas 
entre nós. Por que ela tinha que ser tão jovem...? 

O Anjo do Demônio... 
Encontrar Joseph foi a melhor coisa que já me aconteceu. Eu encontrei o 
meu amigo, minha alma gêmea. Mas ele deixa a minha idade ficar entre 
nós. Há algo que o persegue, e eu quero egoistamente ser a que o ajuda a 
conquistar seus fantasmas. Se ele apenas me deixasse entrar, me 
deixasse aproximar, eu acho que poderia ajudá-lo...